Compras (Estados Unidos)

Quando você fala que vai aos Estados Unidos, o que vem à cabeça? Estátua da Liberdade, Hollywood, Disney, um laptop novo, um tênis da Nike, um ou dois iPods, relógios etc. Seus amigos, e até inimigos, aparecem com a tímida lista de compras e o sorriso amarelo. E você, é claro já tem sua listinha na cabeça.

Ok, que venham as compras. Já que não podemos vencer o consumismo, juntemo-nos a ele. E se alguém vier recriminá-lo por isso, apenas defenda-se dizendo que, se os desinformados não sabem, ir às compras é sim uma maneira de experienciar a cultura norte-americana. Compras por aqui, meus amigos, não é necessidade, é hobby, como andar de patins, esquiar, ler, assistir TV.

Sendo assim, aqui vão algumas dicas de compras aos interessados em barganhar na terra do Tio Sam.

Não seja pego de surpresa pelas Sales Taxes
Você chega à loja, vê aquele preço lindo na etiqueta e já fica todo animadinho. Mas preciso alertá-lo, caro leitor, que aquele não é o verdadeiro preço, não, Senhor. Aqui o imposto é cobrado separadamente e isso depende do estado e condado em que você está. Para aqueles que ascedem uma visita a Miami, Orlando ou afins, posso adiantar que as taxes na Flórida giram em torno de 6% do valor do produto a ser pago no caixa. Bem barato se comparado a Chicago (11%) ou grande parte da Califórnia (9%). Alguns estados como Delaware e Oregon não cobram as chamadas sales taxes. Logo, se você está de passagem por Nova York eu recomendaria duas ou três horas de viagem até Delaware, assim você conhece um lugar a mais e ainda economiza alguns dólares, dependendo do volume de compras que você pretende fazer. Ainda usando o exemplo de quem vai a Nova York, se seu interesse é vestuário, o estado de Nova Jersey, apenas 15 minutos de trem da Big Apple, não cobra sales taxes para roupas e sapatos.

Marcas famosas
Sabe aquela bolsa da Guess de 400 reais? E aquele relógio da Swatch de 600? Pois é, camarada, você encontra esses artigos por não mais que 165 dólares, quando muito caro. Afinal liquidação ou sale, como preferir chamar, significa de 30% a 90% Off (de desconto), como eles mesmos dizem. Toda semana é possível encontrar uma ‘promoçãozinha’. Claro que tem as épocas de festas para os ‘shoppoholics‘, que são as liquidações sazonais ou semi-anuais. Onde encontrar essas marcas por preços tão acessíveis? Dentre as várias opções a primeira a ser mencionada deve ser os Outlets, isso mesmo Autiletis.

O que são Outlets? São centros de compras repletos de marcas famosas com mercadorias bem selecionadas com descontos em torno de 30%. Ou seja, você compra os produtos da própria loja da marca, mas com descontos, sem o menor risco de falsificação. Um pequeno detalhe sobre os Outlets é que eles não são encontrados em todas as cidades. Normalmente ficam situados em cidades um pouco mais afastadas, mas ainda bem próximas, da grande metrópole. Macy’s seria uma opção pra quem quer encontrar ótimas colecões de muito bom gosto, assim como perfumes também. Macy’s estão por toda parte, o único problema é que os preços não são lá essas coisas de baixos. Mas sempre existe aquela seção lá no cantinho com nome Clearance. Sim, essa é a palavrinha magica pra achar as melhores barganhas. Se você for passando e ver CLEARANCE, vale a pena dar uma paradinha e conferir. Nordstrom e Bloomingdale’s são outras lojas na mesma linha da Macy’s com as marcas mais caras do mundo, você encontra Juicy Couture, Marc Jacobs, Armani, Michael Kors, Guess, Ugg Australia, dentre outras.

Pra quem quer economizar mesmo e tem a devida paciência para passar horas catando bons artigos numa loja, bom, para essas pessoas, eu recomendo o trio Marshalls, Ross e TJ Maxx. Essas são as lojas para nós que não nos conformamos em pagar 80, quando podemos pagar 45, nem que para isso sejam necessárias horas de pesquisa. As mercadorias dessas lojas são flutuantes, não estão sempre lá, não há garantias de re-estoque, nem lista nenhuma de produtos. Para dar-lhes uma ideia mais certa de preços, meninos e meninas, criei a tabelinha abaixo com alguns dos produtos de minhas pesquisas.

Perfume Tommy Girl
- Perfumania (Outlet): $32 + tax
- Macy’s: $37 + tax
- Ross: $17 + tax (Entretando ninguém pode garantir que você vai encontrá-lo por lá, se encontrar… Bom, como eu disse, é sorte.)

Bolsa Kenneth Cole
- Kenneth Cole Outlet: $45 + tax
- TJ Maxx ou Marshalls: entre $40 e $55 + tax
- Ross: $25 + tax

Bolsa Guess
- Loja da Guess: $118 + tax
- Guess Outlet: $88 + tax
- Ross: $55 + tax

Carteira Kipling
- Macy’s: $32 + tax
- Ross: $13 + tax

Importante: Esses preços são de certos artigos, nem todas as bolsas da Guess ou Keneath Cole são o mesmo preço. E por favor, leve em consideração que em lojas como Macy’s e Outlets você tem bem mais opções e uma seleção melhor que em lojas como a Ross.

Website de alguns Outlets:
- Miami
- Los Ângeles
- Nova York
- San Francisco
- Chicago

Como localizar Macy’s, Ross,Nordstrom, Marshalls? Fácil, fácil. Use o Store Locator. Uma ferramenta online que permite que você encontre as lojas mais próximas de onde você está. Tudo que você precisa é o Zip code (normalmente um número com 5 dígitos) do seu Hostel ou Hotel ou Motel ou casa do amigo ou familiar.

- Store locator Macy’s
- Store Locator Ross
- Store locator Marshalls

Mais dicas de compras num próximo post, não tão distante.
Divirtam-se e boas compras!
That’s all folks!

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Autora:
Isabel Filgueiras
Los Ângeles, Califórnia, Estados Unidos.

Disney

Foto: Flickr (Le Méchant Garçon)

Famílias inteiras se apressam para vivenciar o maior número possível de atrações nos parques temáticos do mundo Disney. Para não se perder tempo de diversão, comem-se em pé cachorros-quentes, sanduíches quase sintéticos, descartáveis, regados a refrigerante em copos gigantes abarrotados de gelo. Café? Quase não há, e, quando se encontra, é fraco e mais parece chá de café: “chafé”. Ah! Além disso, só é admitido parar para comprar souvenirs e apelos consumistas irresistíveis e inúteis.

Observando as milhares de pessoas obstinadas a gozar essas maravilhas, vem a reflexão: o que essas pessoas buscam? Momentos mágicos, inesquecíveis? Talvez… Mas, o que estaria por trás disso tudo? Seria a busca de amar e ser amado? Afinal, é o que todos queremos. Fazemos todo tipo de malabarismo com as nossas vidas, submetemo-nos a cada aventura estaparfúdia, vivenciamos cada ato mirabolante, tudo porque queremos ser amados. É isso! Obrigamo-nos a situações incríveis, às vezes, somente para fazer bonito para os outros (eventualmente, para nós mesmos).

No mundo da fantasia, percorremos as mais estranhas e extraordinárias atrações: de simuladores e montanhas-russas a shows aquáticos e pirotécnicos. Tudo impecável, bonito, fantástico! Até as árvores e flores que ornamentam os parques, de tão perfeitas, desconfio que não sejam naturais. Ao cair da noite, holofotes e raios laser imponentes tentam em bloco tirar a privacidade da lua. Ofuscada, ela se retrai e se esconde por trás das nuvens, negando-se a ser coadjuvante dessa festa.

Entusiasmo, surpresa, deslumbramento, adrenalina! Chega, porém, um momento em que satura. Nada mais nos surpreende ou comove, e nos invade um tédio profundo. Aí bate a saudade do mundo real, do nosso povo, da nossa terra cheia de achaques e imperfeições, mas onde as coisas acontecem espontaneamente sem maiores pretensões. Ah! A rotina doméstica! Acordar na própria cama, com o travesseiro já acostumado com o nosso jeito de dormir; tomar um café legítimo, passear com o cachorro, aguar as plantas (autênticas)… Não há atração no mundo mágico do país das maravilhas que se compare à emoção da volta pra casa e à imagem da lua brilhando absoluta da janela do nosso quarto.

Autora: Simone Pessoa (@)

Disney

Foto: Flickr (Le Méchant Garçon)

Após refutar todas as alternativas oferecidas para uma viagem inesquecível, os filhos sentenciaram: “não queremos lugares bonitos pra ver ou cultura para apreciar; queremos coisas divertidas pra fazer”. Resultado: acabamos cedendo e, para alegria deles e desespero das nossas economias, debandamo-nos para os parques temáticos do mundo Disney. Sofrida a maratona burocrática de entrada, perdemo-nos como “Alice no país das maravilhas”…

Filas extensas ordenavam a multidão sequiosa por emoções radicais. Quanto mais alta e sinuosa, com manobras que desafiavam a lei da gravidade, melhor o conceito da atração: mais apreciada e concorrida pelos jovens e adultos que ambicionam superar limites e exibir auto-afirmação. O enfrentamento de tais desafios é como uma proclamação (para si e para seus pares) de fortaleza e coragem. Custa-me acreditar que seja por puro prazer.

Numa das filas de uma sensacional atração, senti o dilema entre a vontade de acompanhar meus garotos – todos excitadíssimos para fazer uma “viagem a Marte” – e a consciência do sofrimento reservado na eletrizante aventura simulada do espaço sideral. Preferi não embarcar a ceder à tentação da emoção forjada. Isso, de fato, não me confere regozijo, e, sim, submete-me a penas disfarçadas de brincadeiras tecnológicas. A intrepidez em dizer não ao masoquismo (pelo menos para mim) me proporcionara um sentimento de conquista e bem-estar quase tão intenso quanto deve ser o despencar da mais arrojada montanha-russa. O preço a pagar pela recusa diante da cobiçada atração foi não fazer constar, no meu currículo, a tal “viagem a Marte”, e, provavelmente, ser taxada de medrosa, sem espírito aventureiro. A minha vingança: escrever esta crônica. Afinal, o ato de escrever me é bem mais realizador. E a emoção, se não tão intensa e inflamada, se faz suave e verdadeiramente prazerosa.

A propósito, a trajetória terrena já é bastante desafiadora, ornada de íngremes precipícios, depressões e montanhas, com o adicional de que o desfecho de cada percurso é um mistério, sem controle ou previsibilidade; pulsação garantida para manter viva a chama existencial.

Autora: Simone Pessoa (@)

Visto Visa

Rostos ansiosos esperam impacientes por sua vez na fila que se estende na calçada, sob o sol. Sorrisos nervosos tentam aliviar a tensão. Alguns estrategicamente vestidos com camisa branca para disfarçar o suor que poderia lhes delatar. Será que a minha documentação está suficiente? Terei preenchido corretamente o formulário? Estarei com aparência habilitada para a aprovação? Algum dos pertences que trago poderá ser interceptado pela segurança? Insegurança é a tônica desses pedintes.

A mãe censura a blusa preta do filho que estampa símbolos orientais. E se eles a acharem suspeita? Poderão cismar e negar o visto – conjectura a mulher… O homem negro e gordo suava mais que os outros. As crianças se impacientavam diante da demora. Quando a jovem estudante que estava no início da fila teve seu visto recusado, ficou abalada a confiança dos que, devido à proximidade, presenciaram a reprovação. O homem caprichosamente paramentado abriu sua maleta tipo zero-zero-sete e conferiu seus documentos pela enésima vez. A mulher de trajes simples seria uma doméstica em busca de melhores condições de vida? A família reunida pretenderia realizar a viagem de seus sonhos? A executiva viajaria a trabalho? O homem com ar intelectual desenvolveria seus estudos em universidade renomada? Cada qual com seu devaneio, mas todos unidos por um único propósito: conseguir o visto para entrar no país estrangeiro.

Para atingir esse objetivo, estavam dispostos a se submeter aos caprichos e regras do Consulado que, convicto da sujeição dos pleiteantes, não lhes poupava exigências e constrangimentos. Sem pressa de atendê-los, fazia-os esperar horas a fio. Revistava suas bolsas sem pudor e impunha uma seqüência de comandos. Nem ao menos lhes reservava um banheiro digno: homens e mulheres disputavam o mesmo cubículo. Após o tangimento por diversas filas em espaços e estágios diferentes, fazendo lembrar, sutilmente, os campos de concentração, na última sala fria e silenciosa, uma pequena janela de vidro deixava transparecer o céu azul e brilhante do Brasil, denunciando a beleza acessível e solícita deste país onde os brasileiros não têm visto, embora tenham passe livre.

Autora: Simone Pessoa (@)

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